Ronaldo Castro de Lima Júnior

Escrevo, quando dá na telha.

Category: Astrologia

O que é Astrologia

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Limbourg brothers: Très Riches Heures du Duc de Berry; folio 14 – Anatomical Zodiac Man (1411-1416)

É no mínimo intrigante que , em pleno desenvolvimento tecnológico da civilização moderna e com todo o cientificismo tão bem desenvolvido e institucionalizado, observamos o ressurgimento da milenar ciência astrológica no âmbito mundial , ocupando toda a mídia, praticada em consultórios e nas mais variadas áreas humanas. O que essa incansável ciência milenar poderia nos oferecer?

Nos encontramos num momento especial onde a integração dos sistemas está se impondo em todas as áreas. Vivemos uma crise justamente porque o grande conjunto do universo humano está fragmentado.
As várias partes que o compõe estão viciadas numa autonomia e independência suicidas, consequência de uma miopia e , muitas vezes, de uma avareza dos modernistas e iluministas.

Os argumentos anti-astrológicos são em sua quase totalidade, antes uma crítica à prática astrológica que a seus fundamentos e princípios. Infelizmente a maioria dos detratores ainda não conseguiu separar uma coisa da outra. Os que se aventuram por derrubar seus princípios o fazem sem conhecimento de causa.
A força sintética da astrologia advém de sua perspectiva unitiva, integradora. Tal perspectiva se encontra no esoterismo de todas as grandes Tradições do mundo, que é um ponto de vista mais profundo sobre as coisas sagradas. Assim, pois, não devemos confundir com o que hoje muito popularmente se chama de “esoterismo”, que tão somente preenche o grande mercado consumidor espiritual moderno. A maioria dos que se intitulam “esotéricos” – como se fosse possível haver alguém “esotérico” – afoga-se na própria subjetividade, embebeda-se com suas próprias indefinições como se fosse uma guerra contra o intrincheiramento da razão. O esoterismo assim passa a ser uma fuga do racionalismo, o que nunca foi. Aliás, foi meu encontro com a Astrologia que me disse que não se tratava de matar a razão, mas de salvá-la.

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É russo!

O centenário da Revolução Russa reascendeu a chama de seus defensores, em todas as academias mundo à fora, menos por seus resultados intelectuais e científicos, que por sua vitoriosa propaganda.

Foi uma revolução ateia num dos países mais religioso do mundo. Sem dúvida que é um grande episódio da história da humanidade. No entanto, o espírito revolucionário sempre foi contrário à verdadeira espiritualidade. A própria Revolução Francesa já tinha destruído igrejas e assassinado padres alguns séculos atrás. Mas, sem dúvida, há características marcantes na revolução russa, e o são tanto quanto o são diabólicas, ou, para evitar um vocabulário um tanto religioso, desumanas.

Foi uma revolução operária num país eminentemente de camponeses; uma revolução socialista num país onde a grande aspiração era a propriedade individual; uma revolução de intelectuais num país que tinha a maior taxa de analfabetismo do mundo. Claro que os Romanovs não tinham vencido um certo feudalismo, mas a revolução de 1917 aprofundou a escravidão desde um estágio material ao mais íntimo das relações humanas e globalizou a revolução.

“Os proletários nada têm de seu a salvaguardar; sua missão é destruir todas as garantias e segurança da propriedade privada até aqui existentes.” 

Trechos do Manifesto Comunista

A Rússia era o país mais conservador numa Europa revolucionária. Era uma espécie de baluarte da reação contra uma Alemanha e França revolucionárias. Esse baluarte se desfez com a revolução de 1917.

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Uma santa inquisição

Ângelo Monteiro é um poeta num grau de excelência que só é percebido por quem não foge, não se esconde da tragédia e da dor da existência humana. Eu conheci Ângelo como professor, depois amigo e só depois como poeta. Na verdade o poeta ainda é um grande e adorável desconhecido. Há um senso comum em sua fortuna crítica que o classifica como um poeta místico ou religioso, mas essa é uma classificação tão profunda que é quase muda, deixando-nos sempre inquietos sobre a interpretação de seus poemas. A última edição, belíssima por sinal, da obra “o inquisidor e as lições de passagem”, pela CEPE Editora, me fez reler poemas que me surpreenderam ainda mais sobre sua verve artística, sobre sua intimidade com a tradição iniciática e, à semelhança de um Dante, nos leva a infernos e purgatórios, mas com uma cruel solidão. Seu Virgílio parece ser essa solidão, cuja sabedoria é uma cornucópia de sentimentos gritantes.

Muito já se escreveu sobre sua rítmica e como não sou um crítico literário me julgo incapaz de identificar e apreciar, mas não de sentir. O ritmo de caráter heroico de seus poemas possue uma força inegável e disputa com a mensagem a atenção do leitor. É uma estrutura encantatória.

Os poemas são muito bem trabalhados e de um nível intelectual que, parodiando Nietzsche, é “para todos e para ninguém”. É ainda mais difícil imaginar sua compreensão nos dias atuais onde gritos e sussurros substituíram a meditação e a reflexão, onde bandos naufragam suas frustrações e uma agenda progressista galopa contra toda uma tradição espiritual que não só fundou nossa civilização, mas permanece viva em sua misericórdia, sem a qual estamos todos mortos e à merce de um niilismo terrível.

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Todos somos reféns

A polêmica em torno da exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que estava em cartaz no Santander Cultural no Rio Grande do Sul, encerrada antes do prazo, após forte reação de parte da sociedade brasileira nas ruas, mas principalmente através das redes sociais, é um capítulo novo e interessante, mas que ultrapassa o já consolidado embate político entre coxinhas e mortadelas. A corrupção política foi substituída por algo mais denso e fundamental. Não deixa de ser um alívio ver que deixamos a política nas mãos da polícia e passamos a discutir assuntos mais substanciais.

Essa é mais uma dentre tantas outras questões a se discutir nas redes sociais, a maior ágora de todos os tempos. Peço até desculpas aos gregos pelo termo, pois a discussão numa ágora, a praça pública na Grécia Antiga, era fundamental para a democracia grega, mas pressupunha um certo nível intelectual dos cidadãos. O mesmo não se dá nessas discussões virtuais onde todos os elementos estão sob suspeita: a censura ideológica crescente pelos proprietários dos canais de comunicação, a formação intelectual dos interlocutores e a cultura onde todos nós estamos mergulhados, cuja hegemonia de pensamento, também crescente, do politicamente correto, do relativismo generalizado e de ressentimentos estrategicamente cultuados por agentes sociais e seus organismos, deixa tudo muito confuso e de difícil compreensão.

Não pretendo aqui analisar esse emaranhado, mas esse episódio específico, pois acredito ser emblemático para tantas outras polêmicas que se desenvolvem nessa praça.

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