Ronaldo Castro de Lima Júnior

Escrevo, quando dá na telha.

Category: Astrologia

A Perfeição do Futuro

Era de Aquário. Muitas lembranças nos traz esse futuro que já passou: Shangrilá, Woodstock, Cabo Canaveral, esotéricos, hippies e cientistas. A modernidade, o maior dos símbolos aquarianos, caracteriza-se justamente por ultrapassar-se, numa imitação de autotranscendência. Nem mais o futuro é novo. O que nos espera?

É comum perguntarem quando começaria a Era de Aquário. A comunidade astrológica ainda não chegou a um consenso sobre qual fato histórico repousaria o símbolo definitivo do início da Era. Para alguns seria a descida do homem na Lua, ou seja, ao pisar em um outro corpo celeste o homem estaria realmente entrando no domínio dos deuses, ou equivalendo-se a eles. Para outros a comunicação global é o fato mais significativo justamente por ser o primeiro verdadeiramente “universal”, querem dizer, mundial. Na verdade essa preocupação de calendário poderia ser resolvida astronomicamente, na medida em que uma Era é marcada pelo Ponto Vernal. Mas é óbvio que a fronteira de uma Era não se confunde com a geográfica por exemplo. Os sinais da puberdade não esperam pela data de aniversário da criança.

Leia mais


Lista dos artigos

É russo!

O centenário da Revolução Russa reascendeu a chama de seus defensores, em todas as academias mundo à fora, menos por seus resultados intelectuais e científicos, que por sua vitoriosa propaganda.

Foi uma revolução ateia num dos países mais religioso do mundo. Sem dúvida que é um grande episódio da história da humanidade. No entanto, o espírito revolucionário sempre foi contrário à verdadeira espiritualidade. A própria Revolução Francesa já tinha destruído igrejas e assassinado padres alguns séculos atrás. Mas, sem dúvida, há características marcantes na revolução russa, e o são tanto quanto o são diabólicas, ou, para evitar um vocabulário um tanto religioso, desumanas.

Foi uma revolução operária num país eminentemente de camponeses; uma revolução socialista num país onde a grande aspiração era a propriedade individual; uma revolução de intelectuais num país que tinha a maior taxa de analfabetismo do mundo. Claro que os Romanovs não tinham vencido um certo feudalismo, mas a revolução de 1917 aprofundou a escravidão desde um estágio material ao mais íntimo das relações humanas e globalizou a revolução.

“Os proletários nada têm de seu a salvaguardar; sua missão é destruir todas as garantias e segurança da propriedade privada até aqui existentes.” 

Trechos do Manifesto Comunista

A Rússia era o país mais conservador numa Europa revolucionária. Era uma espécie de baluarte da reação contra uma Alemanha e França revolucionárias. Esse baluarte se desfez com a revolução de 1917.

Leia mais


Lista dos artigos

Uma santa inquisição

Ângelo Monteiro é um poeta num grau de excelência que só é percebido por quem não foge, não se esconde da tragédia e da dor da existência humana. Eu conheci Ângelo como professor, depois amigo e só depois como poeta. Na verdade o poeta ainda é um grande e adorável desconhecido. Há um senso comum em sua fortuna crítica que o classifica como um poeta místico ou religioso, mas essa é uma classificação tão profunda que é quase muda, deixando-nos sempre inquietos sobre a interpretação de seus poemas. A última edição, belíssima por sinal, da obra “o inquisidor e as lições de passagem”, pela CEPE Editora, me fez reler poemas que me surpreenderam ainda mais sobre sua verve artística, sobre sua intimidade com a tradição iniciática e, à semelhança de um Dante, nos leva a infernos e purgatórios, mas com uma cruel solidão. Seu Virgílio parece ser essa solidão, cuja sabedoria é uma cornucópia de sentimentos gritantes.

Muito já se escreveu sobre sua rítmica e como não sou um crítico literário me julgo incapaz de identificar e apreciar, mas não de sentir. O ritmo de caráter heroico de seus poemas possue uma força inegável e disputa com a mensagem a atenção do leitor. É uma estrutura encantatória.

Os poemas são muito bem trabalhados e de um nível intelectual que, parodiando Nietzsche, é “para todos e para ninguém”. É ainda mais difícil imaginar sua compreensão nos dias atuais onde gritos e sussurros substituíram a meditação e a reflexão, onde bandos naufragam suas frustrações e uma agenda progressista galopa contra toda uma tradição espiritual que não só fundou nossa civilização, mas permanece viva em sua misericórdia, sem a qual estamos todos mortos e à merce de um niilismo terrível.

Leia mais


Lista dos artigos