Ronaldo Castro de Lima Júnior

Escrevo, quando dá na telha.

Campo minado

Assisti a entrevista do RJTV ao candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e fui surpreendido pelo óbvio: a desqualificação da classe política que pretende lutar por um Brasil melhor.

A jornalista, analisando o programa de governo do candidato com relação à cultura, pergunta, em tom irôniflavio-bolsonaroco, o que seria a alta cultura. O candidato se viu numa saia justa pois ali ele sabia que cairia numa armadilha ideológica da contracultura.  Digo isso pois sei que a família Bolsonaro tem um nível intelectual e moral muito acima da média da classe política, mas ainda, infelizmente, insuficiente.

Ele começa então a definir alta cultura como os grandes eventos internacionais e até cita a música clássica como um exemplo, desejando trazer tais manifestações culturais para as salas de aula.  A jornalista insatisfeita e já em tom ameaçador insiste para que o candidato confesse que existe, consequentemente, uma “média e uma baixa cultura”, caracterizando assim um certo elitismo do candidato, o que seria um suicídio político. O candidato desiste e afirma que não existe esse “escalonamento”, palavras dele. A minha frustração foi justamente por acreditar que o candidato tivesse uma formação mínima necessária para defender seu próprio projeto, o que implica estar imune a essas manifestações de indignação moral quando se fala de hierarquia de valores. Santa ingenuidade a minha. É preciso mais do livros para isso.

Uma outra jornalista, no mesmo programa, tenta imputar-lhe a pecha de homofóbico, pelo fato do candidato afirmar que não patrocinará a marcha do orgulho gay na cidade, uma vez que há outras prioridades e a marcha, que já movimenta milhões de reais, pode se manter com um mínimo de empreendedorismo dos seus organizadores, sem precisar da mamata do Estado. Mais uma vez, o desconforto do candidato e o comportamento beligerante das entrevistadoras, quanto as questões culturais, ilustram brilhantemente que a classe política, que se diz comprometida com o progresso do país, precisa conhecer as estratégias de uma guerra cultural, muito mais difícil e definitiva. A política orquestrada pelo marketing, responsável pelo politicamente correto e pelo oportunismo do momento, deveria ser a primeira a ser varrida do cenário político.

O marketing e toda a estratégia possível na guerra política devem estar subordinados aos valores e princípios que possam nos tirar desse atoleiro civilizacional. O mal que a esquerda fez ao Brasil não se resume ao estatismo ou, no caso recente, à corrupção sistêmica. O mal está disseminado num comportamento revolucionário que pretende se desfazer de toda lei, ordem e hierarquia, seja no sentido institucional, seja no sentido dos valores. Escreveria páginas de exemplos de nossa decadência cultural e seus discursos de rancor e ressentimento contra tudo o que é bom, belo e verdadeiro. A esquerda roubou-nos não apenas o patrimônio material da nação, mas principalmente o espírito cívico e os ideais morais e espirituais que trazem orgulho a todo pai e toda mãe.

Nas classes sociais menos afortunadas, imersa numa guerra pela sobrevivência,  domina o ódio e o ressentimento contra uma elite que os priva de uma mínima dignidade social enquanto as demais classes lutam não apenas para manter o mínimo de dignidade que lhes resta, mas ainda lutam, inconscientemente, contra um certo sentimento de culpa. E nem mesmo ser inconsciente dessa culpa, tão decantada pelos pensadores de esquerda,  é mais possível, uma vez que seus teóricos destilam o ódio à classe média e à família.

Só quem ganha essa guerra é a elite de intelectuais que mantém vivo o espírito revolucionário, planejando a decadência generalizada, onde o ódio de todos contra todos alimenta suas posições ideológicas e suas teorias totalitárias. É um ritual satânico bem antigo.

O fato de sabermos que estamos num processo de decadência cultural não nos liberta dela, nem nos livra da angustia de ouvir a ladainha de apologia ao crime e à luxuria, tendo que respeitar como manifestação cultural e política legítima, em nome de um politicamente correto que relativiza valores e nos mantém refém da vulgaridade.

A partir desse ponto de vista saibamos que todos os jargões políticos estão contaminados pela esquerda. Todo debate está previamente pautado pela esquerda e sua agenda cultural infame. Pensemos nisso e cuidemos de estratégias mais maduras.

 

 

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