Ronaldo Castro de Lima Júnior

Escrevo, quando dá na telha.

Religião ou Política?

Joel Goodman/London News Pictures/ZUMAPress

Joel Goodman/London News Pictures/ZUMAPress

Creio não haver questão mais complexa e urgente para a segurança internacional que o terrorismo islâmico. Há muita desinformação e manipulação política sobre o assunto, o que dificulta ainda mais sua compreensão, produzindo, por um lado, uma passividade suicida, e, por outro, extremismos de vários matizes.

A agenda da esquerda internacional, seja pelo politicamente correto, seja por um estratagema não declarado, trata a questão islâmica de forma irresponsável, e um extremismo contrário, à direita, começa a surgir como resposta à incapacidade dos governos na preservação da vida e da cultura que suporta os valores fundamentais das sociedades. Qualquer reação contrária à agenda e aos discursos politicamente corretos da esquerda são tratados com uma violência tão desproporcional que parecem legitimar e endossar o perigo do qual todos somos vítimas e, retroativamente, legitima ainda mais os seus discursos de tolerância, de paz e liberdade religiosa, que os mantém no poder.

A convivência entre as tradições abraâmicas nunca foi harmônica, como pretendem nos convencer historiadores politicamente corretos. Ainda que tenha sido um período de grande riqueza cultural e arquitetônica em Córdoba (Sec. VIII-XI), durante a ocupação muçulmana, cristãos e judeus eram chamados de porcos. Para mais informações remeto ao livro “O Mito do Paraíso Andaluz: Muçulmanos, Cristãos e Judeus sob Governo Islâmico na Espanha Medieval” de Dario Fernandez-Morera, professor da Northwestern University e PhD pela Universidade de Harvard.

Não é possível compreender o terrorismo islâmico sem o componente político inerente aos seus grupos extremistas, os chamados jihadistas,  e sem compreender a participação política do movimento da esquerda internacional, que os aparelha com estratégias e armas, como um braço armado da nova Guerra Fria.

O terrorismo islâmico ameaça a segurança de milhões de pessoas ao redor do mundo, independentemente do credo, da nação, da língua. Os radicais islâmicos trabalham para a implantação de uma comunidade global, o Califado Universal. O alvo é pois a civilização judaico-cristã.

De acordo com o Islã original de Mohammed, não há civis inocentes e nenhum governo tem o direito de existir, a menos que obedece à Sharia (o conjunto de leis islâmicas baseadas no Alcorão, responsáveis pelas regras de comportamento dos muçulmanos). E mais, os muçulmanos devem travar uma guerra contra aqueles que não a obedecem, mesmo que os governos sejam liderados por muçulmanos. Percebem que não é possível entender a jihad como um mero fenômeno religioso?

A essa demanda da própria lei islâmica a todos os muçulmanos, radicais ou não, soma-se uma cadeia de queixas que começa há mais de mil anos atrás, com as Cruzadas, incluindo a invasão do Egito por Napoleão em 1798, a redivisão do Oriente Médio após a I Guerra Mundial, pela França e Inglaterra, o nascimento do Estado de Israel e a duas guerras do Golfo. Isso tudo torna a questão do terrorismo islâmico por demais complexa e já se configura um crime de lesa-humanidade a política de tolerância imposta por uma agenda politicamente correta, que se nega a discutir e aprofundar as verdadeiras intenções das comunidades islâmicas.

Não é possível admitir que esses radicais continuem ensinando a intolerância, o fanatismo, e a morte aos infiéis, a partir de suas mesquitas e púlpitos, usando o próprio Alcorão para transformar seus seguidores em massas enfurecidas, buscando transformar as sociedades que lhes abriga, cujas constituições e costumes não valem nada, onde tudo deverá estar subordinado à Sharia. Mesmo quando a população de seus próprios governos é muçulmana, a brutalidade não cessa de exigir subordinação a um ideal político impensável em nossos dias e incompreensível aos nossos valores. Lembremos dos talibãs que, por um tempo, lideraram no Afeganistão. Depois de tomarem o controle do governo, eles voltaram sua ira sobre a população local, assassinando, brutalizando e aterrorizando os afegãos, a fim de impor a conformidade à Sharia.

O movimento radical Islâmico conta com nossas fraquezas, pois o Ocidente  defende a harmonia, a solução de conflitos pelo diálogo, pela tolerância. Esses valores são fundamentais à nossa civilização e não podemos abrir mão deles, mas é preciso compreender que nossas leis, valores e políticas de convivência só funcionam para aqueles que comungam dos mesmos conceitos, princípios e valores, independentemente do credo religioso. O problema é que o Islã não é apenas uma outra religião, como querem nos fazer acreditar. Os líderes ocidentais insistem em negar o componente político do islamismo, que já é parte intrínseca, uma verdadeira simbiose.

A Europa, em especial, aceitou estupidamente uma culpa histórica pelo recuo da fé islâmica e da derrocada do preterido império, e não só aceitou como até patrocinou um processo de islamização.  Mas não só a Europa se dobra à galopante globalização islâmica. A quase totalidade da opinião pública mundial, patrocinada pela mídia internacional, pressiona Israel para oferecer terra por paz, ingenuamente supondo que o Islã radical vai parar sua sede por nosso próprio sangue. A Europa nega a própria história, pois o apaziguamento mediante concessão territorial só fortalece o agressor. Na preparação para a Segunda Guerra Mundial, Hitler utilizou deste estratagema muito bem, humilhando Chamberlain e pondo a França de joelhos.

Vejamos um pouco mais de perto a doutrina islâmica.

A primeira doutrina é que existe somente um Deus e Ele é auto-suficiente e sem parceiros. Deus é onisciente, todo-poderoso, e o criador de tudo o que foi, é e será. A segunda doutrina é que tem havido muitos profetas enviados por Deus. Esses profetas incluem Noé, Abraão, Jesus, Moisés e Mohammed. A terceira doutrina é que enquanto Deus é auto-suficiente, Ele também criou anjos, os do bem e os do mal. A quarta doutrina é que o Alcorão, não a Bíblia, é a inteira e última mensagem de Deus para o povo. A quinta doutrina é que o dia do julgamento final está se aproximando para todos.

Podemos ver muita coisa em comum com o Islã: o jejum, o dízimo, as orações diárias, a profissão de fé, no entanto, o que torna o Islã diferente é o seu apelo para matar e subjugar todos os outros membros de outras religiões. Infelizmente não se trata de interpretação ou de uma dissidência dentro de uma mesma doutrina. Na visão do Islam, o mundo e a humanidade são divididos em dois grupos irreconciliáveis: Dar Al Islam, a casa do Islã, que é composta de crentes, e onde reina a lei islâmica; e Dar Al Harb, a casa da guerra, composta por não-muçulmanos, onde os infiéis (conhecidos como Kuffars, ou não crentes) vivem, ou seja, todos nós. Esse posicionamento não é recente, como alguns analistas professam, como se fosse uma simples interpretação marxista da tradição islâmica, endossada e politizada a partir da revolução dos Ayatollahs (a alta hierarquia religiosa entre os muçulmanos xiitas).

De acordo com Ibin Taamiyah, um jurista muçulmano do século XIV, qualquer ato de guerra contra Dar Al Harb é moral, legalmente justificado e isento de qualquer julgamento ético. É esta ideologia e crença que é a força motriz por trás desses muçulmanos radicais que trabalham para impor o Islã, com suas práticas do século VII, sobre todo o mundo civilizado.

“Lutem contra eles até que toda a oposição termine e todos submetam-se à Allah.” (Alcorão 8:39)

Mas os inimigos da civilização judaico-cristã, insisto, não são apenas os muçulmanos. Muitos analistas interpretam a jihad como uma guerra santa, querendo com isso uma equivalência moral, já que a cristandade empreendeu sua guerra santa no passado. Eles insistem que a jihad é principalmente uma luta espiritual e não militar. Claro que se trata de desinformação grosseira. Basta examinar a história do Islã e os mandamentos do Corão que endossam a jihad como uma ferramenta militar, para ver claramente que o termo jihad refere-se principalmente à guerra contra os não-crentes. Por exemplo, no Alcorão, a Sura 9:29 comanda os muçulmanos a “lutar contra aqueles que não acreditam em Allah.” Mesmo entre muçulmanos moderados, que acreditam que a jihad é uma guerra de palavras, não de espadas, a semântica sempre sairá perdendo perante a simples citação das suras do Alcorão, apoiando a posição de que isso significa guerra e eliminação ou subjugação dos não crentes.

A própria história do Islã é farta em exemplos de belicismo, tiranias e massacres, e os analistas não observam a continuidade política dessa ideologia religiosa talvez pela variada denominação dos diferentes povos que a professavam. Quando conquistaram a Península Ibérica no século VIII eram chamados de mouros.; no resto da Europa os muçulmanos eram conhecidos como turcos; na Ásia Menor, os cristãos chamavam os  muçulmanos de tártaros e outros nomes étnicos. Quando a Europa finalmente entendeu que o Islã não era um grupo étnico, erroneamente foram considerados como uma religião comparável ao cristianismo, tendo Mohammed como figura central, assim como é Jesus no cristianismo. Esse paralelo foi um erro crasso.

Em 622 dC Mohammed emigrou com cerca de cinquenta de seus homens de Meca para Yathrib, uma viagem de mais de 300 kilômetros. Esta viagem é conhecida como a Hijra, que os historiadores vêem como marco de uma era em que o Islã se espalhou não só como uma religião, mas também como um movimento político e militar. Após a Hijra para Yathrib (que mais tarde vinha a ser Medina), que era então o centro da vida judaica árabe, Mohammed agressivamente tentou convencer os judeus a aceitá-lo como um verdadeiro profeta e o Islã como a religião verdadeira. Essa batalha histórica, conhecida como a batalha de Badr teve um profundo significado religioso para os muçulmanos. O Alcorão descreve a batalha de Badr: ” Você não os matou, mas Deus os matou” (Alcorão 08:17)

No Tratado de Al-Hudaybiyah, em 628 Mohammed concedeu a Judeus e Cristãos que não foram convertidos ao Islã, autorização para viver, porque eles eram “pessoas do livro”, mas tornaram-se cidadãos de segunda classe e tiveram de pagar a jizya (um imposto per capita cobrado aos cidadãos não muçulmanos de um estado islâmico). Dois anos após a assinatura do tratado, Mohammed e seus guerreiros atacaram Meca e converteram, à força, a população ao islamismo.

Após a morte de Maomé (em 632 dC), o Islã continuou a crescer, liderado por quatro califas. Em 634 o segundo califa, Omar, começou a se referir a si mesmo como “comandante dos fiéis”. Com a espada e o Corão na mão, o califa Omar inicia a expansão do Islã, desde o Oriente Médio até a África. Em pouco mais de um século após a morte de Maomé, o Islã, uma ideologia político-religiosa-totalitária, cobria e governava mais terras do que o Império Romano em seu auge. Como dizer que se trata de uma religião da paz?

Para os pacifistas de plantão, vale saber que foi o califa de Bagdá, Al-Mutawakkil, no século IX, que designou um distintivo amarelo para os judeus, copiado mais tarde por Hitler.

Graças aos heróis das cruzadas medievais, nos livramos da tirania islâmica, e graças aos heróis aliados nos livramos do nazismo, mas cometemos um erro terrível: entregamos a metade da Europa aos comunistas, bem como uma farta ajuda financeira, para aqueles que já eram conhecidos pelo genocídio e pelo massacre.

No século XX a Guerra Fria traz à tona um velho personagem, um outro poder revolucionário, que transformaria toda a estratégia de guerra para sempre.

Em 1978, Khomeini fugiu para a França, onde iniciou a derrubada do xá, Reza Pahlavi, e de seu regime, a partir de um subúrbio de Paris. Yasser Arafat e a Organização de Libertação da Palestina (OLP) foram determinantes para depor o Xá Pahlavi e estabelecer Khomeini como governante.  A KGB trabalhou muito para transformar um marxista de naturalidade egípcia, Mohammed Yasser Abdel Rahman Abdel Raouf Arafat AL-Qudwa AL-Husseini, no Yasser Arafat, de naturalidade palestina. Mas, como disse Yuri Andropov, valeu cada minuto. Em 1994, Arafat ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mesmo quando, somente em 2002, foram registrados 13.494 incidentes de terrorismo contra israelenses cometidos pela OLP de Arafat. Mais de 600 civis israelenses perderam a vida, mortos pelos “mártires” de Arafat.

Quando Khomeini chegou ao poder em 1979, foram executados mais pessoas durante o seu primeiro ano como governante supremo do Irã, do que o Xá teve durante todo o seu reinado de 25 anos. Muito parecido com o que fez Fidel Castro ao tomar o poder, aliás essa é uma constante nos regimes totalitários de esquerda. Desculpem a redundância.

É certo que a política desastrosa dos Estados Unidos contra os soviéticos no Afeganistão reforçou os radicais islâmicos armados em todo o mundo. Como resultado, a partir da guerra soviética Afghã, surge o Al Qaeda. Mas culpar aos americanos pelo terrorismo, desconhecendo a natureza própria dessa ideologia religiosa e da bem orquestrada estratégia soviética em todos os eventos recentes é fazer o jogo do inimigo. O antiamericanismo, neste sentido, é um adaga igualmente afiada, assim como todo o discurso pacifista da esquerda internacional que pensa que é a pobreza e a opressão que impulsiona os ataques suicidas, ou que o conflito palestino-israelense é a fonte de raiva dos islamistas contra o Ocidente.

Eu conheci alguns muçulmanos, agradáveis, inteligentes, excelentes profissionais, mas perguntem se algum deles falaria em público contra os radicais islâmicos. As opiniões moderadas tornaram-se irrelevantes. Creio que é necessário adequar as políticas de convivência diante de uma situação tão perigosa. A luta de Brigitte Gabriel, uma jornalista, escritora e ativista libanesa-americana, para conscientizar os americanos e o mundo, da real ameaça do terrorismo islâmico, é uma das mais corajosas que se possa presenciar nesses dias de medo e covardia. Fundadora do “American Congress for Truth”, seus livros e palestras tem ajudado a despertar a consciência sobre o grave perigo às populações e tem ajudado a aperfeiçoar os métodos de investigação e análise dos centros de inteligência ocidentais. O que ela prova com grande propriedade e experiência é que o que a mídia e os políticos chamam de muçulmanos radicais não são nada mais do que puristas devotos.

Em vários países e principalmente nos Estados Unidos grandes líderes e grupos de esquerda são, inconscientemente ou não, massa de manobra da revolução islâmica. Dr. Ayman Al-Zawahiri, número dois na Al Qaeda, declarou publicamente: “Eu quero negros nos Estados Unidos travando nossa jihad para levantar a opressão de toda a humanidade.” Mas o que Zawahiri não diz é que Mohammed não gostava da raça negra imensamente e se refere a eles como “cabeças de passas”, várias vezes no Hadith (1: 662; 9: 256). Os negros também são referidos como abeds, que significa “preto” em árabe, e também é sinônimo de “escravo” ou “sujeira”. É fato que os árabes muçulmanos escravizaram negros por mais de 1.400 anos, e o tráfico de escravos negros ainda está prosperando no Sudão e na Mauritânia. As lideranças políticas ocidentais são marionetes, estúpidas e arrogantes.

Atualmente o mundo parece viver uma histeria coletiva. A desinformação é tanta e a complexidade dos conflitos é tão grande que parece neutralizar toda e qualquer reação. Para alguns o mundo será dominado pela globalização ocidental, uma elite tecnocrata, cujo governo mundial será a solução para todos os problemas; para outros o eurasismo, a nova ideologia de dominação a partir do renascimento de uma Russia bélica e expansionista, será o novo império mundial. Entre uma análise e outra os especialistas insistem em menosprezar o projeto, igualmente totalitário, do Califado Universal.

O califado é um estado imperial muçulmano que evoluiu, após a morte de Mohammed, para realização do sonho de um governo islâmico sobre todos os muçulmanos, independentemente da nacionalidade ou etnia. O califado islâmico existia entre 632 e 1924, quando seu último remanescente foi abolido na Turquia por Mustafa Kemal Ataturk.

O califado tira a sua autoridade e direção da lei Corânica e da Sharia.  Seus métodos de ataque são claros. A metodologia principal é forçar os muçulmanos a manter o seu dever de restabelecer o califado, e, uma vez que são fortes o suficiente na sociedade que os acolheu, tomar o poder e forçar a conversão ou a morte. A população desconhece por completo o que está acontecendo em seus próprios países. Alguns bancos britânicos agora anunciam uma conformidade com as regras que regem o sistema bancário islâmico; a província alemã da Saxónia-Anhalt tornou-se o primeiro na Europa a emitir um sukuk, um bônus islâmico, que está em conformidade com as regras do Alcorão barrando o pagamento ou cobrança de juros; na Dinamarca, um dos países mais seculares da Europa, o Alcorão é leitura obrigatória para estudantes do ensino médio; a Bíblia não é.

O porta-voz oficial do Partido Islâmico de Libertação no sul do Quirguistão, Nur Mohammad não tem dúvida de que o movimento para ressuscitar o califado será bem sucedido: “Todos os muçulmanos do mundo já querem viver em um califado sob a Sharia …. Vai ser um estado enorme, um estado muito poderoso.”

Talvez estejamos muito acostumados com a liberdade para compreender a Sharia. Isso porque esquecemos que o Islã é uma ideologia político religiosa. O totalitarismo não nos é estranho e nem tem exclusividade entre as sociedades humanas. O que falta para aprender o que a história insiste em ensinar? A Europa está perdendo a sua alma nesse compromisso de conciliação com seu algoz, o que não é diferente do apaziguamento com a Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Estamos apenas retardando o inevitável.

Eles usam os sistemas jurídicos, políticos e sociais ocidentais para pleitear mais poder. Não há ironia maior. Creio que em nossas sociedades o amor ao próximo foi substituído pelo complexo de Estocolmo. Ou a cristandade retoma a verdade de sua fé, cujo amor é antes de tudo responsabilidade e prontidão, ou sucumbiremos na história. Mas uma sociedade moderna, orgulhosa de sua secularização, não se deixaria dominar pelo obscurantismo religioso novamente, porca miseria. A modernidade parece não desistir. Afinal ela prometeu a maior arma  contra o obscurantismo: a razão.

Eis a razão que se divorciou da fé: um cego num cadafalso.

 

 

 

 

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