Ronaldo Castro de Lima Júnior

Escrevo, quando dá na telha.

Muito fora da curva

O Programa Fora da Curva,  apresentado pela jornalista Maria Eduarda Rocha, que vai ao ar diariamente pela Rádio Universitária e por streaming (facebook.com/programaforadacurva), discutiu hoje, 9 de novembro de 2017, estratégias contra o totalitarismo neofascista da extrema-direita, homofóbica, misógina, racista e tutti quanti no Brasil. Foi uma aula magna da intelligentsia da esquerda brasileira.
Tanto a jornalista, que comanda o programa, quantos os entrevistados, são acadêmicos que se revesaram numa análise caricatural e ideológica da realidade política brasileira.
Adriana Santana, doutora e mestre em Comunicação, professora do Departamento de Comunicação Social e coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco é a grande tutora desse programa, assim como todo o Departamento de Comunicação da UFPE. Seus títulos ficaram muito evidentes tanto pela hegemonia da pauta e seus convidados, quanto pelas conclusões e sínteses dos depoimentos. A condução da jornalista foi um escárnio, para dizer o mínimo, pois sua impostura abusa de um órgão público, a Rádio Universitária, ao assumir abertamente uma posição político-ideológica e beligerante. Ao contrário das teses acadêmicas desse departamento, não houve o mínimo de dados ou relatórios necessários para fundamentar as conclusões e preconceitos contra candidatos e movimentos sociais contrários à análise política que defenderam.
O professor Artur Perrusi, doutor em sociologia (UFPE e UFPB) não vê no país nenhuma agressão ou ódio da esquerda e sim da direita. O atentado contra a exibição do filme “O Jardim das Aflições”, do Josias Teófilo, na UFPE, foi citado como um exemplo do ódio da direita contra a pobre e indefesa esquerda, mesmo reconhecendo que quem sangrou no final das contas foi um dos participantes do evento que, vale ressaltar, com bravura, procurou defender o público que queria assistir ao filme, incluindo mães e filhos, admiradores do Olavo de Carvalho, o filósofo tão odiado quanto temido pela esquerda.
Todo o depoimento do professor Artur foi uma pregação, muito comum em coroinhas ateus, de vitimização da esquerda. Ele afirma: “não dá pra comparar a virulência discursiva e prática de um Bolsonaro com a de Lula” (…) “O ódio tem um só lado e é na extrema direita”.

“Sou ateu e materialista vulgar. Acho até que a alma é aquela gosma verde que sai pelo meu nariz. Mas fiz promessas. Tinha que fazer. O desencantamento acabou com os deuses, exceto… Sim, exceto no futebol. Ali, reinam todos os..mistério” (http://blogdojuca.uol.com.br/2013/11/aos-pes-do-santa-cruz-2/)
Artur Perrusi

O professor Ricardo Santiago, também do Departamento de Sociologia da UFPE, especialista em Celso Furtado ,ou seja, teórico da dependência, enfatizou a vitimização da esquerda e praticamente repetiu palavras de ordem.
A direita, segundo esses doutores em sociologia, representa a homofobia, o racismo, a misóginia, a censura, a demofobia, etc. Foram 30 minutos de pura propaganda ideológica do mais baixo nível, mesmo para o pensamento de esquerda.
Alguns conceitos sociológicos foram colocados para mascarar uma mera propaganda como por exemplo, o fato de que o dissenso é uma regra nas ciências sociais e, portanto, não é admissível a doutrinação, mas logo em seguida toneladas de adjetivos contra uma “direita neofascista” e até uma bala perdida contra o movimento Escola sem Partido, apagaria toda a encenação de isenção acadêmica.
O professor Artur chegou a afirmar que “dogma é o núcleo do autoritarismo” e que as ciências sociais não são uma revelação e por isto estão sempre abertas ao debate. Para um ateu, seu vocabulário religioso é até interessante. Mas como pode haver um debate intelectual sem o contraditório? Entrevistados e entrevistadora numa defesa recíproca de um único ponto de vista não é exatamente um bom exemplo.

No entanto, a crítica que fizeram a certos grupos de conservadores, que procuraram censurar a palestra da Judith Butler, é correta. A liberdade de expressão tem seus limites bem definidos na Constituição e esse não foi o caso. Ainda que a ideologia de gênero, que essa feminista americana defende, seja passível das mais variadas críticas científicas e morais, ela tem o direito de se expressar, assim como os pais e professores de criticar sua doutrinação nas escolas.

O candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro foi o espantalho do programa. Contra ele tudo o que ele não é: exterminador de quilombolas, de negros, de gays, de índios, defensor do estupro, etc. Essa é uma estratégia tão antiga quanto a Revolução Bolchevique, mas em ano de centenário, quem sabe não cola. Aliás, o discurso de vitimização da esquerda sempre se aproximou de uma escatologia e quando afirmaram que “a democracia é um valor universal e quem perde com a queda dela é unicamente a esquerda”, eu cai na gargalhada. Os maiores genocídios e governos totalitários da história foram sempre de esquerda e isso qualquer criança sabe. Talvez por isso estejam tão empenhados em antecipar a erotização das crianças e dividir ad infinitum toda a sociedade em minorias carentes do velho Estado vermelho.

Devo confessar que me diverti muito, pois os jargões socialistas foram tão abusados que mais parecia um programa de humor, uma paródia de uma discussão acadêmica ou mesmo de um bom e velho jornalismo.

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